MSC muda de ideias: Durante o inverno de 2027/2028 o World Europa fica no Mediterrâneo e o World Asia navegará no Sul das Caraíbas

MSC muda de ideias: Durante o inverno de 2027/2028 o World Europa fica no Mediterrâneo e o World Asia navegará no Sul das Caraíbas

Esta semana a notícia é a MSC. A companhia reviu, mais uma vez, a programação do MSC World Europa para o inverno de 2027/28. O navio ia voltar ao Médio Oriente, com escalas no Dubai, Abu Dhabi, Sir Bani Yas, Bahrein e Doha, isto tinha sido anunciado em março. Pois esqueçam. Fica no Mediterrâneo Ocidental, com itinerários de sete noites entre Barcelona, Marselha, Génova, Civitavecchia, Messina e Valeta. E o MSC World Asia, que estava destinado ao Mediterrâneo Ocidental, vai agora para o Sul das Caraíbas.

A MSC não diz claramente porquê. Fala só em “revisão de programação“. Mas não é preciso ser especialista.

Porque isto não é um caso isolado e outras companhias fizeram o mesmo. Neste momento o Golfo Pérsico não vale o risco.

A AIDA decidiu também não operar no Golfo no inverno de 2027/28, dizendo que a situação continua sem permitir uma avaliação fiável. A Costa Cruzeiros também cancelou a operação de 2027/28 depois de já ter cancelado a de 2026/27. A TUI Cruises já tinha cancelado 2026/27 no Golfo, e está a deslocar procura do Mediterrâneo Oriental para destinos mais a ocidente e a Celestyal também cancelou 2026/27 no Golfo e redirecionou capacidade para o Mediterrâneo, incluindo Portugal.

Cinco companhias, o mesmo movimento, na mesma direção. Isto já não é prudência pontual de uma marca. É o setor inteiro a decidir que o Golfo, para já, não compensa o risco.

Do ponto de vista de negócio, isto é mais interessante do que parece à primeira vista. Uma companhia de cruzeiros vive de planear com dois, três anos de antecedência. Reservar portos, negociar taxas, montar itinerários, vender aos clientes com meses de avanço. Quando cinco companhias ao mesmo tempo preferem cancelar a arriscar, é porque o custo de errar é maior do que o custo de recuar. E recuar duas vezes seguidas, como fez a MSC, custa além de muito dinheiro… credibilidade. Ninguém gosta de vender uma viagem ao Dubai e depois ligar ao cliente a dizer que afinal não é já.

Mas há aqui uma segunda leitura, essa sim boa para nós. Toda essa capacidade que saiu do Golfo não desapareceu, foi reencaminhada. E olha para onde vai: Mediterrâneo Ocidental, Sul das Caraíbas, e reparem bem, também para cá. A Celestyal já tem o Discovery a programar Portugal para 2027/28. Isto é procura e navios a concentrarem se numa região onde nós já somos fortes e onde o cliente português tem menos fricção emocional para reservar.

Para os agentes, o argumento de venda escreve-se sozinho: em vez de venderem uma promessa instável no Médio Oriente, têm agora mais navios, mais datas e mais opções num destino que o cliente já confia e que as companhias certamente não irão cancelar em cima da hora.

Na minha opinião é que o Golfo Pérsico enquanto destino de cruzeiros ficou, para os próximos dois ou três invernos um destino demasiado arriscado, enquanto o Mediterrâneo está a sair claramente reforçado desta reorganização toda. E é aí que todos devemos apostar as fichas.

Marco Lima ©cruiselovers.pt

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Marco Carlino de Lima

Especialista em Cruzeiros & Editor-Chefe

“Apaixonado pela experiência humana por trás de cada viagem, Marco Lima soma mais de duas décadas no setor dos cruzeiros e, dedica-se a desmistificar o mundo dos cruzeiros com partilhas autênticas, dicas práticas e uma paixão contagiante pelo oceano.”

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