Crónica da minha última viagem pelas ilhas gregas e as pessoas que fui encontrando pelo caminho

Crónica da minha última viagem pelas ilhas gregas e as pessoas que fui encontrando pelo caminho

Numa esplanada em Rodes, um senhor grego chamado Eusébio, ao perceber que éramos um grupo de portugueses,  pousa a bandeira portuguesa em cima das mesas antes sequer de perguntar o que queremos beber. “Hydration break”, diz ele, a sorrir da própria piada. Depois olha-me nos olhos e solta a frase que resume este homem: “Portugal is Eusébio, not Cristiano Ronaldo.” Ele nunca esteve em Portugal. Mas sabe mais sobre o nosso Pantera Negra do que muitos portugueses da minha geração.

É este tipo de momentos que um itinerário pelas ilhas gregas nos dá, e que nenhuma lista de “As 10 melhores coisas a fazer nas Ilhas gregas” consegue captar. Já fiz este percurso a bordo do Celebrity Infinity várias vezes. Quase 60 cruzeiros depois, mais de 50 países visitados, continuo a achar que este é um dos itinerários mais completos que existem para fazer no Mediterrâneo. Não o mais fácil. O mais completo.

Para quem é isto, e para quem definitivamente não é

Vou ser direto, porque é assim que trabalho: este itinerário pode não ser para toda a gente, e quem te disser o contrário está a tentar vender-te algo que não condiz com a realidade. Pelo menos se o queres aproveitar da melhor maneira.

Este itinerário é para quem sempre sonhou com as ilhas gregas e não se importa de pagar um pouco mais por isso, em troca de mais tempo em cada destino e de um navio mais pequeno, com menos confusão e menos multidão a marcar o ritmo. Se procuras aquela sensação de “estar” num lugar, e não só de “passar” por ele, este itinerário entrega isso mesmo.

Agora a parte que ninguém gosta de mencionar: não é para quem tem dificuldades em andar ou qualquer limitação física. Não estamos a falar de um grau de dificuldade extremo, longe disso. Mas para aproveitar bem cada escala, é preciso caminhar e subir escadas. Em Santorini, em Rodes, na Acrópole. Se sabes à partida que isso vai ser um problema, este não é o teu itinerário, escolhe outro e prefiro dizer-te isso agora do que ver-te aflito no meio de uma subida na pitoresca aldeia medieval de Pyrgos.

Atenas: antes do embarque

A maior parte dos itinerários trata Atenas como escala de passagem, onde o avião aterra e as pessoas se dirigem para Piréus. Nós reservamos duas noites antes de entrar no navio (e mais um dia no final), e isso mudou tudo, mas pode não ser suficiente.

Logo na noite de chegada, depois do transfer do aeroporto para o hotel, jantámos na Taberna «Ταβέρνα Ο Γέρος του Μωριά», que em português seria algo como “Taberna O Velho da Moreia”, uma referência direta a Theodoros Kolokotronis, herói da Guerra da Independência grega, também conhecido como “o Velho da Moreia” pela sua ligação à região do Peloponeso. Entre pratos tradicionais, houve música e danças gregas ao vivo, com direito a alguns elementos do grupo a arriscar uns passos de sirtaki que certamente não impressionariam nenhum grego a sério, mas que puseram toda a gente a rir e a perder a vergonha logo na primeira noite. É sempre este tipo de arranque que gosto de garantir num grupo: tirar as pessoas do “modo avião” e pô-las em “modo viagem” antes ainda do primeiro dia completo em terra.

No dia seguinte, saímos de Atenas em direção ao Peloponeso com paragem no (para mim) tão esperado Canal do Corinto, aquele corte quase cirúrgico de 6,3 quilómetros aberto na rocha em 1893, que ainda hoje impressiona quem o vê ao vivo pela primeira vez (nenhuma fotografia lhe faz justiça). Seguimos depois para o Teatro de Epidauro, construído no século IV a.C. e ainda hoje usado para espetáculos, graças a uma acústica que continua a intrigar arquitetos: alguém sussurra no centro do palco e ouve-se perfeitamente na última fila, a 60 metros de distância. Claro que tive de testar. Vale a pena.

A verdadeira surpresa do dia, no entanto, foi a bonita cidade de Náuplia. Primeira capital da Grécia moderna, entre 1829 e 1834, antes de Atenas assumir esse papel, com arquitetura veneziana que destoa completamente da imagem que a maioria das pessoas tem da Grécia, e com a fortaleza de Palamidi a dominar a baía lá do alto.

Tivemos como nosso guia o simpático Andreas, e digo isto sem exagero: é o grego mais português que já conheci. Conhecedor profundo de história e mitologia grega, mas um apaixonado por Portugal e pela nossa gastronomia, fala português fluente, autodidata. Nunca tinha percebido como é bom ouvir contar a história do teu próprio país por alguém de fora, com aquele entusiasmo genuíno de quem escolheu gostar, e não apenas nasceu a gostar.

Nessa noite, jantámos no Orizontes, situado no topo do Monte Licabeto, com a melhor vista sobre a Acrópole e sobre toda a cidade de Atenas iluminada lá em baixo. A nossa agente local, a incrível Anastácia, tratou de todos os pormenores da logística para que tudo corresse sem uma falhas, uma vez que o local não é de fácil acesso, muito menos de autocarro. Nestas viagens, o trabalho que ninguém vê costuma ser o que faz a diferença entre uma boa experiência e uma experiência inesquecível.

O Celebrity Infinity: o navio por trás da viagem

A Celebrity é a marca “premium” do grupo Royal Caribbean, posicionada entre o segmento mais massificado das grandes companhias mainstream e o luxo puro. Na prática, isto traduz-se numa aposta clara em gastronomia cuidada, design mais sofisticado e um ambiente pensado sobretudo para adultos, longe da lógica dos parques temáticos flutuante que caracteriza outras companhias.

O Infinity encaixa perfeitamente nesse ADN, mas com uma nuance importante: é um navio mais íntimo e mais clássico, já com alguns anos de vida, e isso nota-se sobretudo quando o comparamos com os navios mais recentes da própria Celebrity, como os da classe Edge. Não é um navio moderno, no sentido de espelhos, decorações mais extravagantes e design de vanguarda. É um navio elegante à ‘moda antiga’, com uma escala mais humana, e para muita gente isso é precisamente a vantagem, não o defeito.

O serviço a bordo continua a ser, de forma consistente, muito acima da média das companhias mais populares e mais massificadas. Desta vez o jantar esteve mais lento do que é habitual, o que reconheço sem problema nenhum, porque não é a norma que costumo encontrar a bordo desta companhia. Mas mesmo com essa lentidão pontual, a diferença de atenção e cuidado em relação a outras marcas continua bem visível.

Se nunca estiveste num navio deste porte e desta marca, digo-te já, sem rodeios: há festas claro, mas não esperes grande animação a bordo. Antes pelo contrário. Não há aqui parede de escalada, pista de surf ou ou escorregas para a água. O que há é um ambiente sereno, pensado para relaxar entre escalas, não para entreter uma criança de dez anos. Se é isso que procuras, vais adorar. Se procuras adrenalina e produção de grande escala, este não é o teu navio.

ITINERÁRIO

Santorini: já lá fui várias vezes, e continua a surpreender-me

Há quem ache que já viu tudo o que Santorini tem para dar depois de ver mil fotografias no Instagram. Discordo profundamente.

Desta vez, visitei pela primeira vez Pyrgos, antiga capital da ilha até ao século XIX e um dos poucos locais em Santorini que escapou ao turismo de massas. Tem um castelo veneziano no topo e ruas estreitas onde, sem um guia experiente, é fácil perdermo-nos, e uma igreja no ponto mais alto da vila com uma vista incrível sobre a ilha. E já tenho uma razão concreta para voltar a Pyrgos, desta vez fora de qualquer itinerário de cruzeiro: é aqui que acontece uma das tradições mais bonitas de toda a Grécia, na Sexta-Feira Santa Ortodoxa, quando os moradores colocam mais de 15.000 pequenas lanternas e latas com fogo nos telhados, muros, caminhos e no próprio castelo, para iluminar a procissão do Epitáfio.

Pyrgos é um contraste bem-vindo em relação a Oia, quase sempre cheia que todos conhecem, a vila mais fotografada de Santorini, famosa pelas cúpulas azuis e pelo pôr do sol que atrai muitas pessoas todas as tardes.

Fechámos a nossa visita com almoço tardio em Fira, a atual capital da ilha, construída literalmente sobre a borda da caldera, a mais de 300 metros de altura sobre o mar. Essa mesma caldera que resultou de uma das maiores erupções vulcânicas da história, há cerca de 3.600 anos, e que moldou a forma da ilha tal como a conhecemos hoje. Almocei precisamente numa esplanada suspensa sobre esse precipício, juntamente com o Nuno Ribeiro (blog dos cruzeiros), meu parceiro nestas andanças de cruzeiros há já alguns anos. Entre um prato de polvo e uma salada grega, uma ou outra cerveja mythos, a conversa foi, como é hábito entre nós, sobre a próxima viagem e o próximo cruzeiro ou o próximo grupo. É engraçado como, mesmo num local incrível como este, a cabeça de quem trabalha nisto nunca desliga.

Rodes: a Cidade Velha, e o maior fã grego do Eusébio

A Cidade Velha de Rodes é, para mim, uma das cidades medievais mais bem preservadas do Mediterrâneo, classificada Património Mundial da UNESCO e construída pelos Cavaleiros Hospitalários de São João, que governaram a ilha entre 1309 e 1522, antes de serem expulsos pelos otomanos. O Palácio do Grão-Mestre, antiga residência e fortaleza do líder da Ordem, continua a impressionar-me todas as vezes que lá entro, com os seus mosaicos romanos trazidos de Kos e salões que ainda hoje parecem preparados para receber uma corte medieval inteira. Desta vez fiquei só pelos jardins, num dia mais calmo, sem pressas e percorremos com alguns elementos do grupo as ruas empedradas da cidade. Mas confesso que a minha memória mais forte desta escala não tem nada a ver com história ou arquitetura.

Tem a ver com o Sr. Eusébio. Dono de um pequeno bar com esplanada, numa das ruas adjacentes ao Palácio, faz questão de colocar a bandeira portuguesa em cima da nossa mesa sempre que paramos ali. Chama a isto, com humor, uma “hydration break”, expressão que roubou claramente do mundial de futebol e que usa sempre que vê clientes a chegar cansados do calor. E depois há a frase que já vos contei no início, dita com uma convicção total: “Portugal is Eusébio, not Cristiano Ronaldo.” Discordar dele seria como discutir de futebol com o próprio árbitro. Não vale a pena.

Kusadasi: Éfeso e a grandiosidade que só se imagina

À chegada ao porto de Kusadasi, iniciamos com uma excursão a Éfeso, que é daquelas cidades onde é preciso um esforço de imaginação consciente. O que vemos hoje, mesmo impressionante como está, é uma fração pequena do que aquilo terá sido no auge do Império Romano: uma cidade com mais de 250 mil habitantes, teatros, biblioteca, termas, ruas com sistema de esgotos. Cada vez que caminho pela rua de Mármore em direção à Biblioteca de Celso, tento imaginar aquilo cheio de gente, de mercadores, de vida quotidiana, em vez do museu a céu aberto silencioso que hoje visitamos. É um exercício que recomendo a qualquer visitante: não olhes só para as pedras, imagina o que elas eram no passado.

No regresso ao navio, fizemos uma paragem numa fábrica de peles da região, com exposição e venda de casacos e malas. Kusadasi e a zona envolvente têm uma tradição antiga neste tipo de comércio, muito ligada às rotas de mercadores que já por ali passavam há séculos. O mais inesperado, e confesso que nos apanhou de surpresa, foi assistirmos a um pequeno desfile de moda exclusivo para nós, com algumas pessoas do nosso grupo a desfilar modelos de casacos verdadeiramente bonitos. E caros, já se sabe. Mas foi um momento leve e divertido, muito diferente do peso histórico da manhã, e desses contrastes é que se fazem os melhores dias de viagem.

Já de volta ao porto de Kusadasi, antes de reembarcar, foi tempo de almoço (mais uma vez tardio) e de uma última volta pela cidade: experimentar a gastronomia turca, desta vez optamos pelas carnes grelhadas e o famoso café turco, que se ama ou se odeia, não há meio-termo possível. E claro, uma passagem pelas lojas locais, onde se encontram as “melhores réplicas originais” desde relógios a roupa passando pelo calçado… ainda hoje penso numa mochila, imitação quase perfeita de uma Bottega Veneta, que só não trouxe porque o valor pedido acabou por atirar por terra toda a vontade de negociar.

Mykonos: sim, vale mesmo a pena

Sou team “vale a pena”, sem hesitação. Para mim, Mykonos continua a ser a paisagem que melhor personifica aquilo que as ilhas gregas realmente são: casas brancas e azuis, moinhos de vento contra o mar, ruas estreitas que se perdem em Little Venice.

E já que falamos de coisas que valem a pena: o melhor lanche tradicional grego é, sem qualquer dúvida, um bom gyros. A minha sugestão vai sempre para o Sakis ou para o Snack Bar Leonidas. Nada de sofisticação, nada de decoração cuidada, só carne bem temperada, pão pita quente e molho tzatziki juntamente com algumas batatas fritas dentro do pão como eu gosto. É comida de rua a sério e a minha preferida é a de frango. Não é preciso parar, entro, peço e como pelo caminho…

Já a paragem obrigatória é na esplanada mais famosa de Mykonos: a Negrita, em Little Venice, com as mesas praticamente a tocar no mar, emolduradas por buganvílias que caem em cascatas de tons fúcsia sobre as paredes brancas. Foi ali que parámos para uma cerveja, na companhia da Mercedes, uma simpática cliente espanhola que viajava conosco pela primeira vez, e que se revelou uma surpresa: incrivelmente simpática e conhecedora da história e mitologia grega, muito mais do que a maioria dos gregos que eu conheço. Destas (boas) conversas inesperadas, entre uma bebida e o mar ali mesmo ao lado, também se faz uma viagem.

Salónica: a escala que ninguém espera nada, e que todos acabam a adorar

Salónica surpreende pela grandiosidade da sua história, muitas vezes ofuscada pelo protagonismo de Atenas. Fundada no século IV a.C. por Cassandro, general macedónio, na região que foi berço de Alexandre, o Grande, rei da Macedónia, a cidade passou depois por capital bizantina, cidade otomana, ponto de encontro de culturas ao longo de séculos, e isso sente-se bastante nas suas ruas.

Desta vez, dada a dimensão da cidade, optámos por percorrê-la de hop-on hop-off, o que se revelou uma boa escolha: Salónica não se faz a pé como uma ilha pequena, e o autocarro permitiu-nos ver muito mais em pouco tempo, sem esgotar o grupo antes da hora de almoço. Uma das paragens obrigatórias foi o Museu Arqueológico, pequeno mas com um acervo surpreendente, algumas das peças mais bem conservadas que já vi num museu deste género, incluindo objetos que remontam precisamente à época de Alexandre e da dinastia macedónia.

Mas a minha história favorita desta escala é diferente e não tem a ver com história. Foi durante a nossa tentativa de visita ao castelo que parte do grupo descobriu, por acaso, um pequeno restaurante típico grego numa ruela lateral.

Quem atendia, cozinhava e servia era uma senhora de idade já muito avançada, que praticamente não falava inglês, meia dúzia de palavras, no máximo, mas com uma simpatia tão genuína que a barreira do idioma deixou de importar. Comemos à sombra de duas árvores enormes, uma travessa gigante de carne grelhada e outra de frango à moda grega, “specialty“, dizia ela.

Éramos dez ou doze pessoas e sobrou comida. De seguida trouxe-nos generosas fatias de melancia doce e fresca para sobremesa. No final, juntamente com as entradas e as bebidas, a conta foi uma surpresa agradável, no melhor sentido da palavra. É este tipo de descoberta improvisada, longe de qualquer planeamento oficial, que mais me fica na memória depois de uma viagem terminar.

De volta a Atenas: o fecho perfeito

Desembarcámos do Celebrity Infinity pela última vez, de volta ao porto do Pireu, e terminámos exatamente onde tudo tinha começado. Um breve passeio pela cidade de Atenas, com a inevitável e sempre imperdível subida à Acrópole, destaque absoluto para o Partenon, seguida de visita ao Museu da Acrópole. Almoço junto à Praça Sintagma, e daí seguimos direto para o aeroporto. Depois de dez dias entre ilhas, templos e conversas de esplanada, fechar com o Partenon lá em cima ganha um peso diferente do que teria tido no primeiro dia… não acha?

“Pouco tempo em cada destino”: a objeção que ouço muito de quem nunca fez um cruzeiro

Toda a gente que hesita neste tipo de itinerário me diz o mesmo: fica-se pouco tempo em cada sítio, será que vale a pena? É uma objeção justa, e não vou fingir que não tem fundamento. Um dia em Rodes não é o mesmo que uma semana em Rodes. Isso é inegável.

Mas a minha resposta é sempre a mesma, e continuo a acreditar nela depois de décadas a fazer isto: um cruzeiro permite descobrir vários destinos sem desfazer malas entre eles, e sobretudo permite perceber onde queremos mesmo voltar com mais tempo. Ninguém sai deste itinerário a conhecer Santorini a fundo. Mas sai a saber, com uma certeza que só a experiência dá, se quer voltar lá sozinho durante uma semana inteira, ou se prefere gastar essa semana em Salónica da próxima vez. Isso, por si só, já vale o preço do bilhete.

Se procuras profundidade absoluta num único lugar, não é este o formato certo para ti. Se procuras a melhor forma de descobrir onde queres aprofundar depois, dificilmente encontrarás melhor.

A próxima pergunta que te devias fazer não é se este itinerário vale a pena. É: qual destas seis escalas gostarias mais de voltar a visitar sozinho, com tempo a sério?

…Voltar

Voltei desta viagem com essa certeza bem concreta em relação a Santorini. Vou voltar. E da próxima vez vou ficar mais tempo em Pyrgos, a coincidir com a tal festa das lanternas na Sexta-Feira Santa Ortodoxa, a ver aquela vila inteira iluminada por mais de 15.000 luzes que já não me saem da cabeça desde que soube que existiam.

Marco Lima ©cruiselovers.pt

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Marco Carlino de Lima

Especialista em Cruzeiros & Editor-Chefe

“Apaixonado pela experiência humana por trás de cada viagem, Marco Lima soma mais de duas décadas no setor dos cruzeiros e, dedica-se a desmistificar o mundo dos cruzeiros com partilhas autênticas, dicas práticas e uma paixão contagiante pelo oceano.”

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