Vinte e cinco anos num navio de cruzeiro não é pouco. E o que a MSC está a fazer aqui é um movimento clássico e inteligente da indústria, que vale a pena perceber: um navio mais antigo, já com poucas hipóteses de competir de frente com os megaships novos no Mediterrâneo ou nas Caraíbas, não vai para a sucata, vai para um mercado onde ainda é a estrela.
A África do Sul é exatamente isso. Não tem a concorrência de navios gigantes com parques aquáticos e teatros de Broadway, tem um público que quer sobretudo o destino, Durban, Cidade do Cabo, e uma boa experiência a bordo sem ser preciso o último grito da engenharia naval. Um navio de 25 anos, bem mantido, encaixa perfeitamente aí.
Para nós é um sinal a dois níveis. Primeiro, mostra que a MSC continua a apostar em diversificação geográfica, não é só Mediterrâneo, Caraíbas e Golfo, há vida fora desses três eixos e a companhia está a semear mercados novos. Segundo, e este é mais interessa do que se pensa: a África do Sul é ainda um destino pouco explorado pelo cliente português, mas com potencial gigante. Fauna selvagem, vinho, praia e agora cruzeiro à mistura, isto é um argumento diferenciador para quem procura fugir do óbvio.

Não subestimem os navios “velhos”. Bem posicionados, continuam a gerar receita e a abrir mercado onde os gigantes não chegam. E a África do Sul, com este empurrão da MSC, é uma região que vale a pena começar a olhar com atenção, antes que todos os outros a descubram também.
Marco Lima ©cruiselovers.pt
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