Os influenciadores estão a mudar os cruzeiros… mas em Portugal quase ninguém percebeu

Os influenciadores estão a mudar os cruzeiros… mas em Portugal quase ninguém percebeu

Durante anos, os cruzeiros tiveram um problema. Não de produto, mas de percepção. Aquela ideia de férias para pessoas mais velhas, tudo incluído, ritmo lento… e pouco mais. E a verdade é que, durante muito tempo, isso afastou uma geração inteira. Mas algo mudou e não foi por causa dos navios.

A mudança não veio das companhias… veio dos criadores

Hoje, quer lhes chames influencers ou criadores de conteúdo, há uma coisa que é clara: eles passaram a ser peças-chave na forma como as companhias de cruzeiros comunicam.

E é coincidência. As grandes marcas perceberam que podiam continuar a investir em campanhas tradicionais… ou podiam fazer algo muito mais eficaz: colocar o produto nas mãos de quem sabe contar histórias. E isso mudou tudo.

Porque é que isto funciona (e sempre funcionou)

A lógica é simples. Um anúncio diz-te o que comprar. Um criador de conteúdos mostra-te como é viver essa experiência.

E há uma diferença enorme entre os dois. Quando alguém acompanha um criador ao longo do tempo, cria confiança. E quando essa pessoa partilha uma viagem, não está a vender… está a mostrar. E isso gera algo muito mais poderoso: influência real sobre decisões.

Usar celebridades como Katy Perry ou Leonel Messi a vender viagens de cruzeiro não faz muito sentido aqui… porque não são pessoas que o público associe a este tipo de experiência.

Já os criadores mais pequenos, com comunidades próximas e interesses alinhados, acabam por ser muito mais eficazes, precisamente porque são vistos como reais.

A nova economia das viagens

Há aqui outro ponto que pouca gente fala… mas que é talvez o mais interessante. Hoje, há criadores de conteúdo que faturam valores muito interessantes com viagens. Não apenas com parcerias, mas com aquilo que geram a partir da sua audiência. Porque no fundo, a equação é esta: as marcas ganham acesso a públicos novos e os criadores ganham dinheiro enquanto viajam e criam novos conteúdos.

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Mas há um problema (e uma oportunidade)

E aqui entra a parte mais interessante. Ter seguidores… não significa ter necessariamente um negócio. Há uma frase que resume isto de forma brutal: podes ter milhões de seguidores… mas se não souberes ganhar com eles, estás só a falar para o ar. E isto é mais comum do que parece. Muitos criadores conseguem atenção… mas não conseguem transformar isso em rendimento. E no meio disto tudo, há um setor inteiro onde isso ainda está longe de ser explorado como devia.

Portugal ainda está no início deste jogo

Enquanto lá fora as companhias de cruzeiros já integram criadores de conteúdos e influenciadores nas suas estratégias de forma clara, em Portugal isto ainda está muito no início.

E isso cria um cenário curioso. Por um lado, o mercado está a crescer, com marcas a investir cada vez mais em criadores, por outro, há um mercado nacional onde essa ligação ainda não está totalmente desenvolvida. E é aqui que podem aparecer grandes oportunidades.

Não se trata de ter milhões… trata-se de ter o público certo

Outro erro comum é pensar que isto é um jogo de números. Não é. As próprias companhias já perceberam isso.

Criadores especializados num nicho, com comunidades mais pequenas mas altamente envolvidas, têm muitas vezes mais impacto do que grandes nomes com audiências genéricas.

Porque no final, o que interessa não é quantas pessoas te seguem, mas sim quantas confiam em ti. Se olharmos bem, há uma mudança clara: os cruzeiros estão a deixar de ser “vendidos” e estão a começar a ser “vividos e partilhados”.

E isso muda completamente a forma como novos clientes entram neste mundo. Especialmente os mais jovens.

Na minha opinião, estamos num momento muito interessante. O setor já percebeu o poder dos criadores e os criadores já perceberam o valor das experiências. Mas ainda há um espaço enorme entre uma coisa e outra. E é nesse espaço que vão surgir os próximos movimentos mais relevantes.

Se crias conteúdo na área das viagens, ou mesmo se tens uma audiência que confia em ti… Talvez este seja um bom momento para olhar para isto de outra forma e não apenas como partilhar experiências, mas sim como algo que pode ir muito mais longe. Porque no final… não se trata de ter seguidores, mas sim o que fazes com eles.

Marco Lima ©cruiselovers.pt

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Marco Carlino de Lima

Especialista em Cruzeiros & Editor-Chefe

“Apaixonado pela experiência humana por trás de cada viagem, Marco Lima soma mais de duas décadas no setor dos cruzeiros e, dedica-se a desmistificar o mundo dos cruzeiros com partilhas autênticas, dicas práticas e uma paixão contagiante pelo oceano.”

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